Pegadas de Jesus

Pegadas de Jesus

sábado, 3 de fevereiro de 2018

CRAZY

Da Net

Crise existencial. O que entendo por isso? Um confronto entre eu e eu mesma. Sei que existe uma vasta literatura sobre este assunto, que aprecio e também sei que encerra verdades, porém, quero analisar por mim mesma o que acontece comigo neste tedioso momento.

Parece que sou apresentada ao pior de mim mesma. Sou obrigada a enxergar uma realidade que me deprime. Às vezes até penso que essa realidade é fantasiosa, mas, neste momento ela é muito real.
Perco o encanto por muita coisa. E até a esperança de que determinadas coisas mudem. Decepciono-me com atitudes que ao meu ver são perversas.

Fico triste. Sisuda. Só consigo trocar poucas palavras. Não percebo apenas os meus defeitos, mas, do mundo todo. Parece que há um complô contra mim.

É estranho, mas, sinto que sou pesada a mim mesma. Fica difícil carregar o pessimismo. O poeta tem razão, quando diz que, cada um sabe o pesar e a delícia de ser o que é.

Questiono minhas perdas e até meus ganhos. Questiono os valores nobres que defendo. Parece que uma cortina de fumaça encobre o sol da minha vida.

É difícil lidar com a vida, neste momento. É preciso auto controle. Pois que, vêm à baila tudo aquilo que abomino. Faz com que me frustre e me decepcione com a humanidade inteira.

Penso que estou ficando maluca, ou depressiva, mas, sei que não.  A sagrada Escritura diz que maldito é o homem que confia em outro homem. Pelo cenário do mundo hoje, tão moderno, e ao mesmo tempo tão antigo, pois, a história se repete, as barbaridades também, percebo o ser humano como alguém capaz de muita maldade. O mundo gira em torno do ter, do poder e do prazer.

A vaidade e o egoísmo mandam e desmandam. A falsidade corre solta. Cada um quer salvar seu rabo e os outros que se danem. Os discursos politicamente corretos são apenas máscaras torpes.

Não importa que crianças morram de fome ou trucidadas pela violência em meio a guerras insanas ou em campos de trabalhos forçados, que sejam mutiladas, que usem drogas, que sejam abusadas sexualmente.
Na verdade tudo é relativo, até Deus, segundo a modernidade. E as construções sociais são tão ridículas que parecem fantasias, mas, há quem preze, quem concorde, quem professe. Ideologias. Qualquer babaca que tenha dinheiro e notoriedade é filósofo. E tem mais, se arvora de Deus e induz as massas desorientadas a seguirem de olhos fechados por caminhos abissais.

Tecnologia, ciência, tecnologia, arte, tecnologia, intelectualidade… E a humanidade vivendo talvez o pior de sua decadência moral. Pra que moral? Tudo é permitido. Só não sei porque as clínicas psiquiátricas estão cheias, e porque as drogas vitimam uma quantidade absurda de pessoas. Mas, tudo bem é a modernidade.
Claro que cada um tem o direito de escolher o que quer, pra isso temos livre arbítrio. Mas, por que esse tal de livre arbítrio só induz as pessoas a fazerem o mal, a se auto destruírem? Tem algo errado aí. E não estou querendo entrar no mérito de nada não. Apenas percebo que a humanidade é burra. É insuficiente. É maldosa.
Meu país se torna um lugar hostil pra se viver. A corrupção impera, a burrice também. Nunca vi tanta ignorância num povo só. Temos  quase tudo pra ser uma Nação equilibrada, só nos falta brio e educação.

E vamos engolindo tudo o que a mídia corrupta nos empurra goela abaixo.  A juventude, com raras exceções, é um bando de retardados sem objetivos concretos na vida, a não ser ganhar dinheiro fácil e notoriedade. Não existem mais ideais nobres. Todos parecem ser apenas um pedaço de carne exposto a quem dá mais, nas vitrines da vida. E a trilha sonora? Um lixo. E a mídia corrupta contribuindo para isso.

É, penso que não é sem razão ter crise existencial nesse século. De falta de respeito e de amor. Falando sério, o que é mesmo o amor? Alguém já ouviu falar nisso? Ah, é uma utopia…  É coisa de gente maluca e ignorante, de iletrados, sem cultura… Amor, só o que faltava.

Pois é, ainda existem alguns retrógrados como eu, que acreditam no amor, e que tentam praticá-lo, apesar do ridículo. Mas, vez em quando me questiono se sou sã mesmo, acreditar em algo tão demodê.

Curioso, é que quando as vítimas da modernidade se dão conta do mundo de ilusões em que vivem, quando se deparam com a vida, como ela é, só conseguem se curar, pasmem, com amor.

Bem, vou ficando por aqui, na minha loucura, curtindo um pouco mais a minha crise existencial, tentando entender o maior dos mistérios, eu mesma.

Não me arvoro em julgar o mundo, se nem meu mestre o fez, mas, como não sou perfeita, como Ele, penso que o mundo está carecendo de vergonha na cara. A coisa está assim: safe-se quem puder! (Lia Mel)


"Enquanto você se esforça pra ser 
 Um sujeito normal e fazer tudo igual, 
 Eu do meu lado aprendendo a ser louco, 
 Um maluco total, na loucura real.  
Misturada com minha lucidez, 
Controlando a minha maluquez,
   Vou ficar, ficar com certeza, Maluco Beleza,  
Eu vou ficar, ah! Ficar com certeza, Maluco Beleza. "
(Raul Seixas)

domingo, 19 de novembro de 2017

ANDANÇAS MUNDO: EUROPA

Budapeste


Na minha idade, foi, de fato, um grande desafio: viajar por vários dias com apenas um casaco, duas toucas, um tênis e poucas roupas numa mochila, num fim de outono na Europa quando o frio já é bastante acentuado.

Levei do Brasil uma mala enorme, contendo muito mais do que iria precisar, e que de fato não precisei. Na primeira etapa da viagem carreguei comigo apenas uns vinte por cento dos meus pertences e me aventurei ao lado do filho e da nora, dois jovens com muita disposição para explorar cada recanto, daquelas cidades que visitamos: Praga, Viena e Budapeste.

A experiência foi incrível, e pude perceber que sou capaz de sobreviver (risos)  com apenas o que cabe numa pequena mochila. Estive aquecida, confortável e leve.

Visitamos todos os principais pontos turísticos dessas cidades: Igrejas, museus, castelos, palácios, parques, jardins, restaurantes, Ópera, etc.

Não dá para descrever a beleza do que vi. Não dá para registrar a emoção que senti. O outono torna ainda mais bonita e misteriosa toda a Europa. Os rios, sob pontes históricas, deslizam majestosamente nos seus leitos, ornando as cidades e atraindo os olhares, tais como, a linda Praga pelo rio Moldava, Viena e Budapeste pelo rio Danúbio.

Que emoção conhecer o Danúbio, imortalizado por Strauss em, O Danúbio azul, que em Viena o vi vestido de verde, mas de um azul cintilante em Budapeste.

Conhecer a Ópera  foi o ponto alto e assistir à peça "La Italiana em Algerin" foi a realização de um sonho.

A história da Áustria estava bem fresca na minha cabeça, pois,havia estudado um pouco antes de viajar, bem como vi o filme "Sissi, a imperatriz da Áustria". Tive o prazer de conhecer o palácio de verão dos Habsburgos e vi de perto o universo em que viveu a Sisse, que se tornou tão querida pelo seu povo, e também pelos turistas (risos).

Budapeste foi uma surpresa. Gostei da mistura da arte e costumes orientais. Em Budapeste, o que mais me impressionou foi a Igreja Matias e o bastião dos pescadores, além da bela vista da cidade cortada pelo Danúbio.

Nada neste mundo paga, a riqueza do que uma viagem é capaz de trazer, para o nosso aprendizado e deleite.

Feliz é pouco para descrever os meus sentimentos. Gratidão é o máximo que posso sentir para dizer a Deus o quanto valeu esse presente.

Alguém já dizia que, viajar é trocar a roupa da alma. E confesso que sou vaidosa neste sentido, pois, gostaria de trocá-la muitas e muitas vezes.

Um grande abraço!

Socorro Melo

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

AVISO



Aviso que o Blog está sendo atualizado, portanto, haverá momentos em que os seguidores e amigos não terão acesso. Desculpem o transtorno. Em breve voltará ao normal. Obrigada pela sua presença neste espaço!

Socorro Melo

domingo, 3 de setembro de 2017

ESPELHO, ESPELHO MEU...


Imagem da Net



Vejo minhas imperfeições, e vejo as marcas e os sinais, do tempo. As marcas, se acentuam a cada dia. Cada uma delas conta uma história, da minha história: das minhas idas e vindas, desilusões, empreendimentos, desenganos, realizações. Cada uma delas é testemunha do que vivi, e de que vivi.Das minhas emoções.
Não há como não gostar do que vejo. Não cabe tristeza, nem inquietação nesse olhar. Longe disso.
Vejo, espelho meu, meus olhos pequenos, vívidos e iluminados, pois, eles parecem  enxergar além do que eu mesma posso entender.
Sou eu mesma, refletida como sou, sem máscaras, maquiagens, carregando toda fragilidade da minha natureza.
Consigo me recolhecer: menininha frágil, medrosa, jovem sonhadora, insegura, mulher  batalhadora que venceu todas as artimanhas do medo e se conquistou.
Sinto que nunca estive tão confortável dentro de mim mesma, como estou agora.
Vejo beleza. Não a beleza estética que o mundo cultua, mas a beleza outonal da vida, a luz que essa fase irradia. A beleza de ter percorrido um caminho desconhecido, com todos os seus riscos e de estar inteira, apesar dos arranhões. E os arranhões, são eles mesmos sinais da luta e prêmio da vitória.
Esboço um sorriso de contentamento e de gratidão, fecho os olhos e em prece digo: Veleu, Senhor! Nada é mais compensador do que ser amigo de Deus, do que ter paz na consciência, desejo de aprender a amar amando, e ter como filosofia e meta de vida, a busca da verdade.

Espelho, espelho meu… Desejo que existam muitas pessoas tão felizes quanto eu! 

Por Socorro Melo

sábado, 19 de agosto de 2017

EU FALO DE MIM


Faltam poucos dias para o meu aniversário. Tenho pensado numa maneira nova e divertida de comemorar essa idade nova. Sempre achei que é muito importante festejar e celebrar a vida, pois, não há bem maior. Quando digo festejar não me refiro a grandes festas, banquetes, viagens memoráveis, nada disso. Tudo isso é opção, dentro do contexto e da realidade de cada momento. Mas,digo festejar, como uma conscientização plena do que é a vida verdadeiramente.

Sou feliz por estar aqui, por existir. É muito bom viver. Sou grata ao Criador por ter me pensado e criado com tanta perfeição. São tantas as capacidades, habilidades e talentos com que me dotou. E é tão grande a sua assistência no decorrer de todo meu tempo de vida. Não me canso de agradecer.

Na minha trajetória de 55 anos já vi muita coisa. Já vivi inúmeras dificuldades. Já superei muitas situações complicadas, e tive a graça de aprender com elas. Já senti grandes alegrias. Já ousei empreender projetos, que se não foram grandes, pelo menos foram importantes, e me sinto realizada.

Tive muitas oportunidades, de conhecer pessoas e lugares, de lê muitos e bons livros, de apreciar  arte e música de qualidade, de saborear um bom vinho, de dar boas risadas, de me extasiar com a natureza, enfim.

Gosto de conhecer, de saber, de me inteirar da História. Gosto de pessoas. Penso que cada pessoa é um mistério a ser desvendado. Entendo que o melhor da vida é viver em harmonia, interagindo, exercendo solidariedade, cambiando experiências de vida. Até mesmo as pessoas que nos decepcionam nos ensinam algo, pois, a partir delas fazemos nossas escolhas com mais clareza.

Acredito no amor e o escolhi como estilo de vida. Respeito a escolha e a opção de vida de cada um, apesar de nem sempre concordar com seus pontos de vista. Tenho minhas preferências. Ás vezes a humanidade me decepciona, e chego a pensar que não tem jeito, mas, tento um novo olhar e quero crer que um dia o ser humano aprende a conviver civilizadamente.

Não gosto de expor minha vida pessoal. Prezo a minha intimidade. Só torno público aquilo que é comum. Não debato em redes sociais as minhas preferências políticas, nem me deixo enredar em assuntos polêmicos. Exerço com responsabilidade a minha cidadania.

Tenho sonhos. Tenho projetos de vida. Mas, hoje, esses sonhos e projetos são mais realistas. Realizei muito do que sonhei, e recebi mais do que pedi a Deus.

Do alto dos meus 55 anos, posso ver a vida como ela é. Sei que a situação do mundo é mais dramática do que parece ser. Sei o quanto a ignorância permeia as sociedades. Sei o quanto somos manipulados e com quanta injustiça podemos ser tratados. Sei que o bem convive com o mal, e me assusta compreender que existam mentes tão perversas no controle da humanidade.

Aprendi que vai chegar um momento em que a minha felicidade consistirá apenas em estar viva. Que vou depender das pessoas para viver ou  sobreviver. No entanto, sei que as amizades que construí vão me fortalecer e que tudo que eu investi em mim mesma vou carregar pra sempre.

Ainda há uma inquietude. Eu gostaria de fazer mais. Ás vezes me sinto inútil, pois, percebo que fiz tão pouco. Há tanto ainda a vencer na minha natureza. Quero ser mais desprendida, mais acolhedora, crescer mais como ser humano.

Guardei o melhor para o final. Eu tenho um trunfo, um tesouro. Ao longo da vida o persegui. Por vezes quase o perdi de vista. E tem sido ele que me alimenta, encoraja e dá força para que eu empreenda essa jornada: minha fé.

Sou cristã, e este é o meu maior distintivo. Procuro a cada instante da minha vida viver o que recomenda o evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Creio na ressurreição e na vida eterna. E se não cresse, faço minhas as palavras de Ariano Suassuna, seria uma desesperada.

É o que tenho pra hoje. E continuo pensando um jeito de celebrar a vida, sem glamour. Pois o que quero mesmo é viver com simplicidade. A vida é agora, é o meu presente.

Desejo paz a todos que aqui passarem!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

VULGARIDADE

Nunca se viu um número tão grande de música (música?) vulgar e sem qualidade como o que se vê atualmente. E o que mais me admira, ou assusta, é que o público ouvinte é bem diversificado. Se fossem apenas os jovens, sem cultura, que gostassem, eu tentaria entender, no entanto, fico pasma com a quantidade de pessoas, adultas e até idosas, que apreciam a baboseira que se lança por aí.

Não sei se devo sentir raiva ou pena. Pelo tipo de música que uma pessoa gosta, pode se identificar muito da sua personalidade.

A falta de criatividade e de poesia nas letras, do que se canta, é impressionante, sem falar que o ritmo é um só, e não existe, portanto, melodia. Mas, para qualquer novo “talento” que se lance no mercado, seguem-no multidões.

Os tais “talentos” lançam moda. Aquilo que usam nos shows é copiado por muitos fãs, com grande orgulho. Estilos de danças são criados a cada momento, cada um mais vulgar que o outro. E,  comumente vemos idosos e pessoas  aparentemente equilibradas, remexendo-se de forma obscena, em qualquer lugar público, ao  escutarem os tais sucessos.

Tudo é exagerado. Tudo é apologia ao sexo explícito. As pessoas cantam, naturalmente, em público, alguns refrões pejorativos, que eu me envergonharia de fazê-lo. Mas é a moda. É o que há de mais moderno. Perdeu-se a noção do ridículo.

Vulgaridade. No dicionário um dos significados do termo vulgaridade é: aquilo que não tem nada que o faça destacar-se, e também, que não se distingue dos seus congêneres. 

Estes significados nos fazem pensar duas coisas: primeira: o que ou quem, não tenha nenhum valor, não tendo o que oferecer, quando se arvora em fazê-lo, o resultado é semelhante ao nosso assunto em questão. O vulgar é comum, não aparece, não brilha, não se distingue. A segunda versão é: será que o dicionário precisa ser atualizado? Pois, o vulgar tomou proporções excepcionais, está em evidência, tem seu brilho próprio, e se distingue, claramente, de tudo o que se possa imaginar. Infelizmente, de forma vulgar.

Certo dia fiz uma pequena viagem, num transporte alternativo, e o condutor do veículo colocou um DVD
(cortesia aos seus clientes) de uma coletânea de shows dessas bandas vulgares, que eu abomino. Como não tive opção de não ver, e de não ouvir, relaxei, e passei a observar, sentindo que me enojava a cada nova apresentação.

A vulgaridade começa pelo figurino. Depois veem as danças, os cenários espalhafatosos, e concluindo, as letras depreciativas.

Em um dos tais shows, me chamou a atenção uma mulher, que fazia parte do coro de uma das Bandas. Sem exageros de minha parte, ela deveria pesar uns noventa quilos aproximadamente. Era jovem, tinha um cabelo bonito, mas envergava um mini vestido, tão mini e tão justo, que eu sinceramente, não sei como ela conseguiu entrar nele, ou ele nela. Pernas de fora... e pronto, perfeito! É o que o público gosta. Fiquei chocada.

O que vi, foi algo desagradável e sem harmonia. Repito: perdeu-se a noção do ridículo. No meu entender, o que deve se sobressair num show artístico é a arte, no caso em questão, a música, e não os artistas. É lógico que devem cuidar da aparência, mas essa, deveria ser simples, pois o simples é belo e elegante. Entanto, nesse caso, não me surpreendo, pois a ineficiência e o mau gosto andam de mãos dadas.

E indignada percebi, enfim, que esses aparatos, esses modelos radicais, são subterfúgios para disfarçar a má qualidade do que se tem a oferecer. Em contrapartida, os bons músicos, aqueles que são de fato talentosos, enfrentam um sem número de dificuldades para se firmarem na carreira, e divulgarem os frutos do seu trabalho, ressalte-se: de  boa qualidade. Cada dia me decepciono mais com o que se chama cultura no Brasil.

Por Socorro Melo


segunda-feira, 3 de julho de 2017

DESABAFO


Não há nada pior do que se sentir impotente diante de uma situação. Nada como olhar de um lado para outro e não saber que rumo tomar. Nada como perceber que não existe chances, alternativas, caminhos. É como se uma grande muralha se erguesse à nossa frente, indicando que ali é o ponto final. E não importa qual seja a situação, se financeira, de saúde, de relacionamento...

Em momentos assim se trava um combate interior. Difícil olhar para trás e perceber que o que se construiu deixou a desejar. Mais difícil ainda é entender que se pode fazer algo de bom, mas, não se sabe como, onde ou quando. E o tempo urge.

A sensação é a de um robô enferrujado. Nenhum movimento. Nenhuma flexibilidade. No fundo há medo. Medo da impotência, e da velocidade do tempo. 

Uma a uma as folhas de papel vão sendo jogadas no cesto de lixo, vazias e amassadas. São projetos abortados. Nenhuma luzinha se acende sobre a cabeça, sinalizando a boa ideia. Parece que não existe nada de novo, nem de promissor. Parece que todas as ideias já se transformaram em atividades ordinárias. E não existem elos que unifiquem toda a confusão gerada na mente, cansada de buscar saídas.

Que grande inquietação! É só um momento, eu sei, vai passar. É o momento da construção da ideia. Sempre há os prós e os contras antes de se formar uma grande ideia. E nada nasce sem dor e sofrimento, nem morre.

Quando cessar o torvelinho das emoções, quando a serenidade chegar, quando um tímido raio adentrar o túnel escuro, tudo se resolverá. A resposta será tão óbvia que será difícil de acreditar. Mas, até lá...

Não existe maior vitória do que aquela de vencer a batalha dentro de nós. Por que tudo precisa ser tão complicado? Talvez porque nossas amarras nos impeçam de ir além.

Pensando positivo é bem provável que o grande segredo seja a perseverança. Quem sabe! É preciso insistir. Não desistir. Quem sabe até fazer algumas loucuras, loucuras sensatas, ora pois!

Até mesmo um desabafo já significa se mover, sair do quadrado. A ordem é pensar, pensar e pensar...

E vamos pensando, num determinado momento vamos nos surpreender e gritar Euuuuureka!

E aí, então foi. Ou então é. Ou será. Será?

Não sei, só sei que não dá para chorar diante da impotência, é preciso vencê-la na queda de braço, afinal,
não há bem que dure ou mal que não se acabe.

(Por Socorro Melo)




quinta-feira, 22 de junho de 2017

A DINÂMICA DA VIDA


Uma noite fria, mais uma. O céu negro e estrelado. Algumas estrelas cintilavam tanto que pareciam querer me dizer algo, alguma coisa. E eu ali, embevecida, a contemplar aquele espetáculo pela enésima vez. Meu corpo entre quatro paredes, e minha visão transbordando a vastidão do infinito. Um silêncio tocante. Parecia que algo saia de mim, que não cabia em mim, que queria alcançar o infinito, o inalcançável. Era tão bom sentir aquilo. Quantas vezes eu me recolhia àquele pequeno espaço para contemplar Deus, nas estrelas, na imensidão do firmamento. De todas as coisas criadas, a visão da abóbada celeste é a que mais me impressiona, e me emociona. É como uma saudade, uma vontade de voltar pra casa.Como se alguém que me ama muito estivesse à minha espera, contando os minutos para minha chegada. É meu encontro com Deus.

Sinto um movimento na minha alma. Vêem-me à lembrança algumas pessoas, que Deus colocou no meu caminho. Penso nelas. No que vive cada uma. No porquê de Deus ter me colocado no caminho delas. Decerto que foi para aprender. Sou grata por isso.

Duas experiências de vida diferentes. Para mim uma missão desafiante. Por um lado o vigor e o desabrochar da vida dos jovens adolescentes, alegres, impulsivos, irrequietos, curiosos, inocentes ainda, eufóricos pelas novas descobertas, pelo anseio de se lançar na vida, no mundo, de se autoafirmarem, de se sentirem aceitos, importantes, sem muito jeito ainda de lidar com essa fase da vida, tendo até momentos de rebeldia, querendo impor suas vontades, achando que já sabem tudo, mas tão frágeis para qualquer situação inusitada.

Por outro lado, o extremo da vida, o outono, o momento da inutilidade, das limitações, das dores e sofrimentos, da solidão e do medo, do vazio ou da sabedoria da vida. Idosos visitados pelas enfermidades, com dificuldade de locomoção, alguns até presos à cadeiras de rodas, ou vítimas de seus próprios corpos mutilados, lesionados, sem capacidade de reação aos estímulos naturais.

O fulgor da juventude contrastando com a chama bruxuleante da velhice. E que lição de vida, meu Deus! O que dizer a cada qual? Falar de amor, de esperança, de caminhos.

Ser jovem com os jovens, tentar falar a mesma linguagem, conhecer os gostos, animar, advertir, tentar mostrar um tantinho da grandeza do amor de Deus. Desenvolver com criatividade jogos interessantes, a partir dos quais se ofereça a temática que deva ser trabalhada, correndo o risco de não alcançar a sintonia deles, dada a diferença de nossas gerações.

Com os idosos, outra pedagogia, outra maneira de chegar junto, de alcançar o coração, a confiança, e de poder transmitir o ânimo e a alegria do evangelho, da boa notícia. Sinto, por vezes, o medo que eles sentem, a nostalgia, as incertezas, a indignação diante da impotência e inutilidade. E como animá-los? Deixo a cargo do Espírito Santo. O que poderia eu dizer? Como alentar? Mas, tudo posso, naquele que me fortalece, bem disse o apóstolo Paulo, e nessa confiança, congratulo-me com eles, e os faço entender que Deus é fiel, e que com coragem devemos cumprir nossa missão no mundo, pois, os desígnios de Deus, às vezes incompreensíveis, são retos, e um dia, na vida eterna que nós cremos, entenderemos a nossa história.

E assim, olhando fixamente as estrelas, enquanto um arrepio na pele me faz estremecer, vou recomendando a Deus os meus amigos, e esboço um sorriso, e sinto uma paz tão grande, que tenho certeza, Ele me sorri do outro lado, e acolhe a minha humilde prece. E eu ali, embevecida, ante aquele céu negro e estrelado, pela enésima vez.

Por Socorro Melo

quarta-feira, 14 de junho de 2017

ENTRE PANELAS E OUTRAS COISAS MAIS




Depois de tanto tempo, precisei assumir em casa, algumas atividades domésticas. Nunca fui muito habilidosa com tais atividades, apesar de gostar da minha casa limpa e cheirosa, mas, quando necessário, arregacei as mangas e me pus a serviço. Dessa vez, porém, era diferente, pois não seria por um curto espaço de tempo, mas, por tempo indeterminado. E cozinhar, era o que eu mais temia. Vi-me angustiada.

Naquela tarde, senti-me desprotegida. O peso da responsabilidade com as atividades do lar, concomitantes com o trabalho fora de casa, crescera assustadoramente, e me tomara de pavor. Pensei que não seria capaz de enfrentar a jornada. Certamente o pouco tempo livre que me restava, seria insuficiente para atender a demanda que me esperava.

Passados os minutos de tensão, deixei as lamúrias de lado, e encarei a situação de frente. Pus as mãos na massa, não sem sentir as dificuldades próprias. Entanto, o fato de desempenhar as atividades, não significava fazê-las com gosto.

Sempre fui adepta da teoria de trabalhar com amor, pois, além de tornar mais fácil o ofício, nos rende paz interior, todavia, os dias se passavam e eu não conseguia executar com amor as minhas atividades domésticas, principalmente a preparação dos alimentos, e isso me deixava preocupada.

Fazia todos os dias, de forma mecânica, por obrigação, o que tinha que ser feito. Por vezes resmungava, e me queixava. De outras oportunidades, me entristecia, pois, queria fazê-lo com ternura, com ânimo, mas, não conseguia.

Juntou-se a essa situação um cansaço redobrado, pois, passei a cumprir um terceiro expediente. Sentia raiva de não ter um tempo livre para cuidar de mim, para ler um livro, ver um filme, ou simplesmente relaxar.

Quando parava para pensar na questão, batia-me um desânimo, pois, não via luz no fim do túnel. As atividades que eu desempenhava, eram essenciais, e eu não poderia deixar de realizá-las, um dia, sequer. Também não cogitava em transferi-las para outra pessoa, uma auxiliar, por exemplo. E pensava, constantemente, no que mais eu poderia empreender, para livrar-me delas, porém, não vislumbrava nada.

Certa feita, num dos poucos momentos prazerosos a que dediquei meu escasso tempo, ouvi uma frase que me impulsionou, e referia-se a fazermos um propósito, e tentarmos cumpri-lo, por amor a Deus. Achei oportuno, e já encaixei a minha situação neste contexto: iria fazer o meu propósito, pois, somente Deus, ou tão somente por amor a Ele, eu talvez conseguisse o meu intento. E assim o fiz.

Pedi ao Senhor, da forma mais despretensiosa que foi possível, que me ajudasse a cumprir minha tripla jornada de trabalho com prazer, por amor a Ele, e a minha querida família. Que eu me despojasse do meu egoísmo, e da minha má vontade, e tornasse as coisas mais fáceis para mim mesma, pois, talvez eu estivesse fazendo grande tempestade num copo d´água.

Por um instante, num flash imaginativo, tive uma visão do futuro: não tinha mais por perto a minha família, e eu daria tudo, naquele instante, para me debruçar sobre a pia e o fogão, para preparar-lhe as refeições, mas, eles não estavam lá, eu estava só. Um grande medo me invadiu a alma, e tomei consciência de que, deveria abrandar meus sentimentos de rejeição pelo trabalho do lar, e fazê-lo com todo o meu carinho, pois, era por Deus e pelos meus, que eu estava fazendo.

Pensei em quantas mães estavam agora chorando, ao redor de panelas vazias, pedindo a Deus que lhes desse pão, para servir aos seus filhos, e eu ali, reclamando por ter que fazê-lo. Isso me deu um arrependimento incomensurável, e reforçou a minha vontade de mudar de paradigma.

Toda mudança começa na vontade, e no pensamento, depois, vem à ação concreta, conseqüência da mudança interior. Percebi, após alguns dias, que as tarefas já não me incomodavam tanto, e que eu já as realizava sem tanta aversão, e isso me deixou contente, pois, como teria que fazê-las, melhor que as fizesse com serenidade.

Isto não significou a ausência do cansaço, pois, seria impossível, nem que eu, de repente, descobrisse talentos para a culinária e habilidades domésticas, visto que não tenho mesmo vocação, porém, trouxe-me tranqüilidade, e um jeito novo de me portar, sem me consumir de angústia e ansiedade. Tento a cada dia preparar as refeições e organizar outras tantas tarefas, com zelo e pensando no bem estar da minha família, e num processo contínuo tenho buscado cumprir o meu propósito. E assim é.

Por Socorro Melo


quarta-feira, 7 de junho de 2017

A PLENITUDE DA VIDA





A RESSURREIÇÃO: PLENITUDE DE VIDA



Porque te afastas para longe na busca dos bens da tua alma e do teu corpo? Ama o único Bem, no qual estão todos os bens, e tanto te bastará. [...] Lá no alto, está tudo aquilo que se pode amar e desejar.

É a beleza que amas? «Os justos resplandecerão como o sol» ( Mt 13,43). É a agilidade e a força de um corpo livre e desembaraçado de todos os obstáculos? «Eles serão como os anjos de Deus» [...] É uma vida longa e sã? Lá em cima espera-te a saúde eterna, pois «os justos viverão eternamente» (Sab 5, 16) [...] Desejas ser saciado? Sê-lo-ás quando Deus te mostrar o seu rosto na sua glória (Sl 16,15). Estar embriagado? «Eles ficarão embriagados da abundância da casa de Deus» (Sl 35,9). É um canto melodioso que te agrada? Lá no alto, os coros angélicos cantam sem fim os louvores do Senhor. Procuras as delícias mais puras? Deus dar-te-á de beber na torrente das suas delícias (Sl 35,9). Amas a sabedoria? A sabedoria de Deus manifestar-se-á em pessoa. A amizade? Eles amarão a Deus mais do que a si próprios, amar-se-ão uns aos outros tanto quanto a si próprios, e Deus amá-los-á mais do que eles alguma vez podem amar. [...] Amas a concórdia? Eles terão todos uma só vontade, pois não terão outra vontade senão a de Deus. [...] As honras e as riquezas? Deus dará muitos bens aos seus servos bons e fiéis (Mt 25,21); mais ainda, «Eles serão chamados filhos de Deus» (Mt 5,9) e sê-lo-ão na realidade, pois onde está o Filho, aí também estarão «os herdeiros de Deus e os co-herdeiros de Cristo» (Rom 8,17).

Santo Anselmo (1033-1109), monge, bispo, doutor da Igreja 
«Proslogion», 25-26